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Entre a celebração e a tristeza

Ontem foi a colação de grau do meu filho, Guilherme Carreira
Formou-se em Ciências Econômicas, como eu.

Um momento de alegria, de orgulho silencioso. Mais uma etapa cumprida. Caminhos que se abrem, responsabilidades que chegam — agora mais para ele do que para nós.

Curiosamente, não me veio à cabeça o clichê do “dever cumprido”. O que me atravessou foram memórias.

Voltei à minha própria formatura, em 1989. Outro tempo. Outra Universidade. Outro Brasil. Um rito solene, todos de beca, carregando o peso simbólico da conquista.

Agora, a cerimônia foi na Universidade Federal do Rio de Janeiro, no Instituto de Economia. Um prédio belíssimo, histórico, que um dia foi um verdadeiro palácio do saber. Também tradicional, solene mas com formando mais informais em termos de vestimenta. Sinais do tempo?!

E é aí que a celebração encontra a tristeza.

Ao caminhar pelo campus, senti uma angústia difícil de ignorar:
jardins abandonados, paredes descascando, tetos com infiltrações, portas e janelas interditadas, corredores bloqueados por materiais largados. Um patrimônio público tratado com descaso.

Estamos falando da primeira universidade pública do Brasil.

A educação pública talvez seja o maior bem que um Estado pode oferecer:
acesso ao conhecimento, mobilidade social, abertura de portas que o nascimento muitas vezes fechou.

Ela deveria ser prioridade. Projeto de país.
Mas o que se vê é abandono.

E isso dói ainda mais quando se percebe que não falta talento, não falta dedicação de alunos, professores e servidores. Falta cuidado, gestão, responsabilidade com o futuro.

Ainda assim, ali estava meu filho.
Diploma na mão. Cabeça erguida.
Pronto para seguir seu caminho.

Parabéns filho! Leve a universidade com você, os princípios e responsabilidades do economista, independente da área de atuação.

Talvez essa seja a maior contradição — e também a maior esperança:
apesar do descaso, a educação pública resiste.
E, mesmo maltratada, continua mudando destinos.

Nós, sociedade, precisamos nos responsabilizar e atuar, cobrar, para melhor infraestrutura e ensino de qualidade, por um modelo de edução que gere mais acesso, oportunidade, cidadania

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